Autoras: Julia A Wolfson; Sara N Bleich

Revista: Public Health Nutrition (18(8), 1397–1406, 2014)

Texto elaborado pela Bolsista de graduação em Nutrição Juliana Guin Ballock e revisado pelas nutricionistas Maisa Martins e Vanessa Chaia.

 

Segundo Julia A Wolfson e Sara N Bleich, as pessoas tem se tornado mais obesas em decorrência do grande aumento da carga horária de trabalho, da inserção da mulher ao mercado de trabalho, da correria do dia a dia e, concomitantemente, do aumento no número de indústrias alimentícias. Fundamentadas nesses dados epidemiológicos, as autoras realizaram estudo com 9.569 adultos nos Estados Unidos das Américas para avaliar se o hábito de cozinhar as refeições em casa, especificamente o jantar, está ligado à melhor qualidade da dieta e se essa relação varia de acordo com a intenção de perda de peso.

O estudo foi controlado por vários cofatores: gênero, idade, escolaridade, carga horária do emprego ou desempregado, nível socioeconômico, renda e raça. A frequência do hábito de preparar o jantar foi classificada em baixa (0-2 x/semana), média (3-5x/semana) e alta (6-7x/semana). A intenção de perda de peso dos participantes foi avaliada, assim como o consumo de alimentos ultraprocessados e a quantidade de energia ingerida por refeição.

 No geral, as pessoas que estavam tentando perder peso consumiram uma dieta mais saudável do que as pessoas não estavam tentando perder peso. Contudo a maior frequência do hábito de preparar a refeição (jantar) em casa foi associada com a melhoria da qualidade da dieta, independente da intenção de perda de peso. Também foi observado que as pessoas tendem a consumir refeições menos calóricas quando as refeições são preparadas em casa, porém não houve alteração significativa do peso corporal dessas pessoas, quando comparadas com o peso das pessoas com baixa frequência de preparar o jantar em casa. Sendo assim, o questionamento é se essas pessoas têm conhecimento sobre os alimentos, a melhor forma de prepará-los e sobre os componentes necessários na hora de montar o prato.

Nesse contexto, o estudo sugere que seja feita uma conscientização com crianças e adolescentes nas escolas, para que a partir do estudo mais aprofundado sobre nutrição desenvolvam hábitos mais saudáveis e habilidades culinárias, melhorando assim a qualidade da dieta. Essa proposta é muito interessante, podendo ser aplicada tanto teoricamente na sala de aula como na prática com oficinas culinárias, onde as crianças e jovens seriam estimulados a preparar refeições mais saudáveis e saborosas. Com a conscientização do impacto dessas escolhas alimentares na saúde, esses indivíduos poderiam levar os conhecimentos e habilidades adquiridos por toda a vida.

Outra sugestão do estudo é que ocorra uma mudança na política das indústrias para que estas passem a fornecer produtos mais saudáveis como os alimentos minimamente processados que facilitam o preparo por aqueles que não apresentam tempo hábil para cozinhar. Seria muito interessante e importante para as ações de Saúde Pública se a indústria tivesse essa conscientização e mudasse sua postura, aumentado a oferta de alimentos saudáveis a preços justos e reduzindo os ultraprocessados assumindo assim sua responsabilidade social. Infelizmente, o que se observa é que as indústrias priorizam o uso de ingredientes de baixa qualidade nutricional que barateiam os produtos alimentícios, ou, em contraposição, cobram preços exorbitantes por produtos “fit”, “saudáveis”, entre outros, pelo uso de ingredientes de maior qualidade ou até mesmo pela “moda” do consumo de alimentos “saudáveis”.

Da mesma forma, comércios e restaurantes próximos aos locais de trabalho poderiam oferecer refeições mais saudáveis, mais equilibradas e de maior qualidade nutricional. Ressalta-se que é imprescindível que haja a presença de um nutricionista em tais restaurantes, pois esse é o profissional responsável por planejar um cardápio equilibrado, saudável e que esteja dentro dos parâmetros de Avaliação Qualitativa das Preparações do Cardápio (AQPC).

É necessário promover estratégias de educação alimentar e nutricional a fim de promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis a partir de abordagens e recursos educacionais problematizadores e ativos.

A partir do presente estudo pode-se concluir que o ato de preparar em casa os alimentos para serem consumidos está associado a um melhor padrão dietético com menor consumo de gorduras, açúcares e de alimentos ultraprocessados, e com maior conscientização na escolha dos alimentos a serem consumidos fora de casa.

O estudo apresentado possui algumas limitações metodológicas, visto que os indicadores usados para avaliar a qualidade da refeição não foram suficientes. Foram avaliados apenas o consumo de açúcar, gordura, carboidratos e energia. Apesar de englobar os alimentos mais relacionados às causas de obesidade e suas complicações, não foi realizada avaliação do consumo de frutas, verduras, legumes, fibras, sementes e oleaginosas, bem como do fracionamento das refeições. Ademais, foi realizada uma avaliação mais quantitativa do que qualitativa.

Concluindo, o estudo aponta resultados sugestivos de que cozinhar em casa é uma importante ferramenta para o consumo de uma alimentação mais saudável e para maior conscientização sobre as escolhas alimentares fora do domicilio.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

WOLFSON, J. A.; BLEICH, S. N. Is cooking at home associated with better diet quality or weight-loss intention? Public Health Nutrition, v. 18, n. 8, p. 1397-1406, 2014.

 

 

 

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